Corre o tempo morto, ao longe, clepsidra
Um tempo, tão sem tempo, tempo vil
Infante, o fulo infante anda no fio
Navalha! São os dentes d'uma hidra
A musa topa longe, corre embora
Num vento tufanesco, vento algum
Tal canto doloroso de Oxum
A musa, a cada canto, sorri e cora
Ela que constrói, destrói, perto ou longe
Longa cortina tecida em minh'alma
Mostra-se forte ou rasga em fúria calma
Talvez me queira a musa tornar monge
Discorre-se em controlada inocência
Desejo-a abandonando o verso acima
Na lúbrica encontramo-nos em rima
Sem nunca abandonar a coerência
Vejo em sua janela a alma lida
Sem dúvida ou motejo, vem sem medo
Sem nunca repetir engano ledo
Termino em esperança: à toda vida